quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Pra ser sincera...

Acabei de entrar no Orkut do meu ex, e talvez único namorado de verdade. Li quase todos os depoimentos que ele recebeu – espero que ele nunca saiba disso – tinham depoimentos de seis anos atrás. Nenhum meu. Me deu um aperto...
Foi como se eu tivesse passado rapidinho por ele. Que nossas vidas não tiveram laço nenhum.
O que é um depoimento né? Uma desculpinha medíocre pra demonstrar o que não dizemos. O que pulsa em nós e não exteriorizamos. Meia dúzia de palavras emocionadas e que da que um mês se perderam, de qualquer forma de sentido.
Uma brincadeira... Seja o que for. Como assim nenhum depoimento meu?
Logo eu, que já passei mais horas no telefone com ele, do que com qualquer outra pessoa. Que deixei ele me ver chorar. Choro qualquer. Choro de raiva, de magoa. Choro histérico de quem tem a certeza de que nada mais será como antes amanhã.
Foi pra ele que contei meus medos, segredos e futilidades. Eu que assisti todos os ensaios daquela banda de garagem e achei tudo a coisa mais linda do mundo. Fui eu, euzinha, que cantei e ouvi freneticamente Equalize pensando nele, amando ele... e descobri que era a musica dele com a outra.
Por alguns anos, meu melhor amigo. Por alguns meses, meu melhor namorado.
O coração disparava quando ele colocava aqueles braços em volta de mim e eu repetia mil vezes, pro espelho, que a gente era o exemplo de que menino e menina podem ser amigos de verdade sem segundas intenções.
Lembro do dia... Na porta da minha casa, eu me virei pra tocar a campainha e ele me chamou. Disse que precisava falar, e fazia tempo. Disse que gostava de mim há dois anos e que não podia ficar quieto por mais tempo. Fiquei muda! Fala alguma coisa se não, eu vou ficar sem graça. Dei um beijo nele. Foi lindo.
Já tivemos brigas homéricas pelo telefone, pessoalmente... Já ficamos um ano sem conversar e seis meses sem se ver, ou mais. Já voltamos atrás... Sempre em momentos distintos. “Mas como entender que os dois / Por serem feijão e arroz / Se encontram só de passagem”. Somos hiatos.
Numa conversa bem tensa, num dia muito frio, ouvi que nunca ninguém o tinha completado como eu. Senti o mesmo. É como se fossemos duas peças de um quebra-cabeça completo, que não se encaixam mais.
São tantas marcas que ele me deixou, que talvez sejam grandes demais pra serem digitadas em um depoimento. Intensas demais pra se divulgar abertamente. Importantes demais pra se reduzir em meia dúzia de palavras disfarçadas.


quarta-feira, 29 de setembro de 2010

ESPELHOS

Final de semana, em casa, fiz um comentário sobre solidão. Tinha um tom de ironia e até descaso. Meu irmão desabafou um “todo mundo é sozinho”.
Alguns dias depois, me deparo com uma folha em branco, caneta na mão e uma vontade de escrever inquietante. A mão não se move e o papel continua vazio.
Falta de assunto? Estou com as palavras saltitando na mente, desde domingo.
O tema fora estipulado: Encontros e Experiência Reversível.
Queria escrever sobre a “Marida”. Amiga que partilha do tédio, fuga e dor que me consomem.
Histórias sobre perceber o vazio, solucioná-lo de forma efêmera e pisar em nós mesmas, são acervo de nossa coleção pessoal. Avaliar o que é bom e ruim, também fazemos.
Conversamos sobre a solidão pelo conforto que o espelho dá. Enquanto existe uma de um lado, a outra não está sozinha nesse mundo.
Tenho o texto escrito, xerocado, repetido e reinventado, em mim. Ele não vai pro papel, porque, mais uma vez, o tédio tomou conta. Estou chata, estou “sei lá”. A folha de papel reflete meu estado. Vazia.
“Somos uma imensa turma, somos uma enorme população, somos uma gigantesca família de solitários, eu, você, todos nós”.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Hora de voltar

Quem é de cidade pequena sabe. Quando tudo é explosão por dentro, o ritmo oferecido é pouco. Aos dezesseis se quer o mundo. Dezessete, fugir de casa.  Dezoito anos, carta de motorista e toda a liberdade que ela trás. Agora sim pego a infinita highway sem hora pra voltar pra casa.
Andei. Corri. Quase morri. E a porra da liberdade nunca que chega. Será que ela existe mesmo?
Quando vê, faculdade. Contas a pagar. Compras. Cozinha. Trabalhos. Problemas novos. Ai ai ai. Ela veio? Quanto mais liberdade, mais responsabilidade. Ninguém tinha avisado. E agora?
E é agora que bate uma sensação que traduzo como saudade. Um trem que parece que nos engole por dentro. Estou velha. Não quero crescer! Quero o colo da minha mãe, a comida da vovó. A proteção do meu pai e meu irmão pra me lembrar quem eu sou.
“Sua cidade é a terrinha do nunca”. Perguntei o por quê? E ouvi que tudo que você acha que nunca vai acontecer em lugar nenhum, acontece lá. Na minha terra.
Da depressão vem a flor. Sempre. No meu jardim, pra cada pedra no caminho, surge uma. Cada uma com seu encanto. Palavras que consolam, animam, confortam. Cada uma com um olhar.
Lá é permitido surtar. Ser bobo. Criança. Adolescente chato ou gente grande responsável. Ou não. Tem vaso de flor em buraco de rua e gente perdida enchendo a cara em porta de escola à noite.
Sempre que bate aquela síndrome de Peter Pan, temos a Terra do Nunca pra voltar.
Voltar com tudo para aquele lugarzinho que guarda os medos e os amores do passado. As ruas, que por sorte, não tagarelam os nossos segredos secretos. Pra nostalgia e saudade de tudo que fizemos ontem. Praquilo que fomos e somos.
Tem dia que a gente acorda sem norte, meio “sei lá”. O maior abandonado que sente falta de casa. Ah... É hora de voltar.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Por que sim!

Uma moça da faculdade uma vez falou que a arte, pra ela, é que nem merda: sai de você e te alivia. Talvez, nessa profusão de sentimentos e dor de estimação, escrever seja isso pra mim...


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