sábado, 30 de outubro de 2010

Família é... Família a... Família

Tem uma musica genial que diz que família é um assunto complicado, mas que mesmo assim “o mais velho” mora ao lado. Por que se discute tanto? Diferem-se tanto? Precisa-se tanto?
Minha mãe me contou que quando eu tinha um aninho, chegou em casa e eu quis colo mas ela não me pegou. Sentou comigo e explicou que tinha acabado de chegar do hospital, que estava com dodói na barriga porque eu tinha ganhado um irmãozinho. E pouco tempo depois, dei de topa com ele em seus braços. Dizem que fiquei dois dias sem falar com ela.
Nos turbulentos anos de adolescência, não foi muito diferente. Brigas homéricas. Cansei de ouvir que “eu isso” e “eu aquilo”. Quando me sentia certa e com todos os motivos do universo pra estar revoltada, tinha que ouvir que vejo só o que eu quero. Que sou bravinha e intolerante.
É complicado brigar com pai e mãe. Tem verdades que aparentemente não podem ser ditas. A reciprocidade não funciona nesse âmbito.
Parece que isso tudo é um show de rock, de uma banda que eu amo loucamente.  Eu na platéia, eles no palco cantando-gritanto-falando o que bem entendem. Parece que por mais que eu grite, cante ou implore... vai ter sempre essa distancia. O irmãozinho às vezes aparece com as mãozinhas pro alto do meu lado e outras lá no palco dando uma palinha. Mesmo que em alguns momentos, eu os ache um bando de babacas, vou sempre estar ali na platéia, comprar cada CD novo e saber todas as musicas de cor.
Família. Amigos. Amores. Quando falta um, a gente fica torto prum lado. Quando mais nova, fazia de tudo, que meu orgulho permitia pra não brigar com as minhas amigas, afinal eram tudo que eu tinha. Era nelas que eu me apoiava pra não afogar. A vida fica difícil assim, sem um barranco pra encostar os pés, sem o tal porto pra chegar.
Um dia... Era tarde e a gente estava na cozinha, eu e meu pai. Eu disse que ele era o melhor pai do mundo! Ele me disse que pra ser o melhor pai, era só ser pai - meu irmão puxou isso dele, de soltar algumas frases de efeito no meio de alguma conversa - faz sentido. A gente espera tanto deles que uma vírgula fora de contexto já dói. Pra mim tudo de família vem correndo e aos berros. É intenso demais. O inferno e o paraíso sem escalas.
O que eles querem compartilhar ecoa “microfonado” pelas sinapses do meu cérebro. Mas por mais que eu sinta e saiba com todas as fibras do meu ser, meus conceitos e ideais parecem bobos quando se abafam na multidão. Eu preciso do pai cheio de defeitos. Da mãe cheia de defeitos. Do irmão cheio de defeitos. Mas morro de medo de ser a preterida e desnecessária filha cheia de defeitos. Todo mundo tem um ponto fraco, eles são o meu. Por que não?

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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

A menina estranha e o escritor

Marcelo Rubens Paiva. Vi o cara numa balada e fiquei frenética por semanas. Uma amiga definiu minha paixão pelo escritor como “mais uma das suas esquisitices”. Ta... Sou mesmo um pouco peculiar, assumo. Mas não por isso, nem um pouco.
Penso que seja unânime, qualquer uma que leia um trecho - livro – crônica - comentário - peça e agora... Filme, não escapa dessa... Hum... Sensação que cada frase provoca. Principalmente quando ele narra àquelas três coisinhas perigosas – sexo, amor e traição.
Deve ser porque ele tem o dom de deixar qualquer tipo de sacanagem mais gostosa. De arrancar suspiros em menos de cinco linhas. De criar protagonistas da conhecida espécie “cachorro - fofo”, aquele tipinho que toda mulher atrai e que mulher nenhuma resiste.
Talvez seja, também, pelo fato de que todas que compram um livro do Marcelo, que não seja “Feliz Ano Velho”, é porque já o leram. Um tesão! É como a mulherada, eu me incluo totalmente nessa, definem perfeitamente o protagonista dessa obra autobiográfica.
São lembranças de um moleque bem gato e bem moleque mesmo, que agora tem fios brancos espalhados por aquele cabelo ótimo e que continua com aqueles olhinhos meio caídos e cheios de charme.
Talvez o prazer de ler Marcelo Rubens Paiva, seja porque parece conselho ácido de amigo não tão bonzinho, misturado com história de nego malandro... É cheio de fantasias e de um monte de coisa que eu queria ter pra contar e talvez eu nunca vá conhecer.
Ele pega na minha mão e me conduz a um passeio rápido pelo outro lado do espelho com todos os paradigmas e paradoxos flutuando de ponta cabeça. Qualquer forma de subverter valores, mesmo que com a duração de algumas linhas, é motivo suficiente pra despertar paixão em uma menina meio esquisita. 

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Pra ser sincera...

Acabei de entrar no Orkut do meu ex, e talvez único namorado de verdade. Li quase todos os depoimentos que ele recebeu – espero que ele nunca saiba disso – tinham depoimentos de seis anos atrás. Nenhum meu. Me deu um aperto...
Foi como se eu tivesse passado rapidinho por ele. Que nossas vidas não tiveram laço nenhum.
O que é um depoimento né? Uma desculpinha medíocre pra demonstrar o que não dizemos. O que pulsa em nós e não exteriorizamos. Meia dúzia de palavras emocionadas e que da que um mês se perderam, de qualquer forma de sentido.
Uma brincadeira... Seja o que for. Como assim nenhum depoimento meu?
Logo eu, que já passei mais horas no telefone com ele, do que com qualquer outra pessoa. Que deixei ele me ver chorar. Choro qualquer. Choro de raiva, de magoa. Choro histérico de quem tem a certeza de que nada mais será como antes amanhã.
Foi pra ele que contei meus medos, segredos e futilidades. Eu que assisti todos os ensaios daquela banda de garagem e achei tudo a coisa mais linda do mundo. Fui eu, euzinha, que cantei e ouvi freneticamente Equalize pensando nele, amando ele... e descobri que era a musica dele com a outra.
Por alguns anos, meu melhor amigo. Por alguns meses, meu melhor namorado.
O coração disparava quando ele colocava aqueles braços em volta de mim e eu repetia mil vezes, pro espelho, que a gente era o exemplo de que menino e menina podem ser amigos de verdade sem segundas intenções.
Lembro do dia... Na porta da minha casa, eu me virei pra tocar a campainha e ele me chamou. Disse que precisava falar, e fazia tempo. Disse que gostava de mim há dois anos e que não podia ficar quieto por mais tempo. Fiquei muda! Fala alguma coisa se não, eu vou ficar sem graça. Dei um beijo nele. Foi lindo.
Já tivemos brigas homéricas pelo telefone, pessoalmente... Já ficamos um ano sem conversar e seis meses sem se ver, ou mais. Já voltamos atrás... Sempre em momentos distintos. “Mas como entender que os dois / Por serem feijão e arroz / Se encontram só de passagem”. Somos hiatos.
Numa conversa bem tensa, num dia muito frio, ouvi que nunca ninguém o tinha completado como eu. Senti o mesmo. É como se fossemos duas peças de um quebra-cabeça completo, que não se encaixam mais.
São tantas marcas que ele me deixou, que talvez sejam grandes demais pra serem digitadas em um depoimento. Intensas demais pra se divulgar abertamente. Importantes demais pra se reduzir em meia dúzia de palavras disfarçadas.


quarta-feira, 29 de setembro de 2010

ESPELHOS

Final de semana, em casa, fiz um comentário sobre solidão. Tinha um tom de ironia e até descaso. Meu irmão desabafou um “todo mundo é sozinho”.
Alguns dias depois, me deparo com uma folha em branco, caneta na mão e uma vontade de escrever inquietante. A mão não se move e o papel continua vazio.
Falta de assunto? Estou com as palavras saltitando na mente, desde domingo.
O tema fora estipulado: Encontros e Experiência Reversível.
Queria escrever sobre a “Marida”. Amiga que partilha do tédio, fuga e dor que me consomem.
Histórias sobre perceber o vazio, solucioná-lo de forma efêmera e pisar em nós mesmas, são acervo de nossa coleção pessoal. Avaliar o que é bom e ruim, também fazemos.
Conversamos sobre a solidão pelo conforto que o espelho dá. Enquanto existe uma de um lado, a outra não está sozinha nesse mundo.
Tenho o texto escrito, xerocado, repetido e reinventado, em mim. Ele não vai pro papel, porque, mais uma vez, o tédio tomou conta. Estou chata, estou “sei lá”. A folha de papel reflete meu estado. Vazia.
“Somos uma imensa turma, somos uma enorme população, somos uma gigantesca família de solitários, eu, você, todos nós”.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Hora de voltar

Quem é de cidade pequena sabe. Quando tudo é explosão por dentro, o ritmo oferecido é pouco. Aos dezesseis se quer o mundo. Dezessete, fugir de casa.  Dezoito anos, carta de motorista e toda a liberdade que ela trás. Agora sim pego a infinita highway sem hora pra voltar pra casa.
Andei. Corri. Quase morri. E a porra da liberdade nunca que chega. Será que ela existe mesmo?
Quando vê, faculdade. Contas a pagar. Compras. Cozinha. Trabalhos. Problemas novos. Ai ai ai. Ela veio? Quanto mais liberdade, mais responsabilidade. Ninguém tinha avisado. E agora?
E é agora que bate uma sensação que traduzo como saudade. Um trem que parece que nos engole por dentro. Estou velha. Não quero crescer! Quero o colo da minha mãe, a comida da vovó. A proteção do meu pai e meu irmão pra me lembrar quem eu sou.
“Sua cidade é a terrinha do nunca”. Perguntei o por quê? E ouvi que tudo que você acha que nunca vai acontecer em lugar nenhum, acontece lá. Na minha terra.
Da depressão vem a flor. Sempre. No meu jardim, pra cada pedra no caminho, surge uma. Cada uma com seu encanto. Palavras que consolam, animam, confortam. Cada uma com um olhar.
Lá é permitido surtar. Ser bobo. Criança. Adolescente chato ou gente grande responsável. Ou não. Tem vaso de flor em buraco de rua e gente perdida enchendo a cara em porta de escola à noite.
Sempre que bate aquela síndrome de Peter Pan, temos a Terra do Nunca pra voltar.
Voltar com tudo para aquele lugarzinho que guarda os medos e os amores do passado. As ruas, que por sorte, não tagarelam os nossos segredos secretos. Pra nostalgia e saudade de tudo que fizemos ontem. Praquilo que fomos e somos.
Tem dia que a gente acorda sem norte, meio “sei lá”. O maior abandonado que sente falta de casa. Ah... É hora de voltar.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Por que sim!

Uma moça da faculdade uma vez falou que a arte, pra ela, é que nem merda: sai de você e te alivia. Talvez, nessa profusão de sentimentos e dor de estimação, escrever seja isso pra mim...


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