quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Hora de voltar

Quem é de cidade pequena sabe. Quando tudo é explosão por dentro, o ritmo oferecido é pouco. Aos dezesseis se quer o mundo. Dezessete, fugir de casa.  Dezoito anos, carta de motorista e toda a liberdade que ela trás. Agora sim pego a infinita highway sem hora pra voltar pra casa.
Andei. Corri. Quase morri. E a porra da liberdade nunca que chega. Será que ela existe mesmo?
Quando vê, faculdade. Contas a pagar. Compras. Cozinha. Trabalhos. Problemas novos. Ai ai ai. Ela veio? Quanto mais liberdade, mais responsabilidade. Ninguém tinha avisado. E agora?
E é agora que bate uma sensação que traduzo como saudade. Um trem que parece que nos engole por dentro. Estou velha. Não quero crescer! Quero o colo da minha mãe, a comida da vovó. A proteção do meu pai e meu irmão pra me lembrar quem eu sou.
“Sua cidade é a terrinha do nunca”. Perguntei o por quê? E ouvi que tudo que você acha que nunca vai acontecer em lugar nenhum, acontece lá. Na minha terra.
Da depressão vem a flor. Sempre. No meu jardim, pra cada pedra no caminho, surge uma. Cada uma com seu encanto. Palavras que consolam, animam, confortam. Cada uma com um olhar.
Lá é permitido surtar. Ser bobo. Criança. Adolescente chato ou gente grande responsável. Ou não. Tem vaso de flor em buraco de rua e gente perdida enchendo a cara em porta de escola à noite.
Sempre que bate aquela síndrome de Peter Pan, temos a Terra do Nunca pra voltar.
Voltar com tudo para aquele lugarzinho que guarda os medos e os amores do passado. As ruas, que por sorte, não tagarelam os nossos segredos secretos. Pra nostalgia e saudade de tudo que fizemos ontem. Praquilo que fomos e somos.
Tem dia que a gente acorda sem norte, meio “sei lá”. O maior abandonado que sente falta de casa. Ah... É hora de voltar.

Um comentário:

  1. é aquela coisa meio de laço, fita e nós... de volta pra casa sempre da a sensação de a vida em sua correria pode ser esquecida um pouco e se resgatar o peter pan que todo mundo tem escondido...

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