quarta-feira, 29 de setembro de 2010

ESPELHOS

Final de semana, em casa, fiz um comentário sobre solidão. Tinha um tom de ironia e até descaso. Meu irmão desabafou um “todo mundo é sozinho”.
Alguns dias depois, me deparo com uma folha em branco, caneta na mão e uma vontade de escrever inquietante. A mão não se move e o papel continua vazio.
Falta de assunto? Estou com as palavras saltitando na mente, desde domingo.
O tema fora estipulado: Encontros e Experiência Reversível.
Queria escrever sobre a “Marida”. Amiga que partilha do tédio, fuga e dor que me consomem.
Histórias sobre perceber o vazio, solucioná-lo de forma efêmera e pisar em nós mesmas, são acervo de nossa coleção pessoal. Avaliar o que é bom e ruim, também fazemos.
Conversamos sobre a solidão pelo conforto que o espelho dá. Enquanto existe uma de um lado, a outra não está sozinha nesse mundo.
Tenho o texto escrito, xerocado, repetido e reinventado, em mim. Ele não vai pro papel, porque, mais uma vez, o tédio tomou conta. Estou chata, estou “sei lá”. A folha de papel reflete meu estado. Vazia.
“Somos uma imensa turma, somos uma enorme população, somos uma gigantesca família de solitários, eu, você, todos nós”.

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